segunda-feira, 17 de março de 2014

Medo das crianças


O medo das crianças pode assustar também os adultos, mas é tarefa dos pais ajudar a lidar com esses temores que florescem nos primeiros anos de vida.

O medo faz parte da natureza humana. É um estado emocional importante que ativa os sinais de alerta do corpo diante dos perigos nas situações cotidianas e representa uma etapa do amadurecimento afetivo do bebé e da criança. 

O medo permite decidir se devemos enfrentar ou fugir de uma ameaça, a partir de um cálculo veloz que é feito na área do cérebro responsável pelos comportamentos primitivos, associados à sobrevivência. A região do cérebro que ativa o medo é o córtex pré-frontal. A mesma região é associada com os analgésicos naturais, produzidos pelo corpo para reagir ao pânico. 

Diante do medo das crianças, alguns pais censuram seus filhos, outros se tornam super protetores, outros ainda as subestimam e atuam, frequentemente, através de comportamentos inadequados

Os adultos além de sentirem ansiedade por proteção e pelo bem-estar das crianças, ficam apreensivos quando esses medos tocam nos próprios núcleos psíquicos profundos ou em memórias dolorosas. Encontrar o caminho certo para ajudar as crianças a lidar com eles é simples, basta seguir algumas regras e lembrar que são um fator importante para a maturidade e o desenvolvimento psicológico da personalidade.

Medos saudáveis são aqueles que não devem preocupar os pais:

Medos clássicos: referem-se aos estereótipos tradicionais (medo do escuro, do lobo mau, do homem feio, da bruxa ...) que fazem parte das fases normais do desenvolvimento  psicológico de todas as crianças.

Medos passageiros: a sua presença se faz sentir em momentos específicos, também de maneira intensa, mas não tem grande influência na vida da criança, sendo que o ritmo e as atividades normais da criança são mantidos.

Medos mutáveis: são os que se modificam no tempo mudando de sujeito com o avançar da idade da criança.

Medos administráveis: A segurança ou somente a presença de uma figura de referência consegue tirar o medo e levar rapidamente a criança à tranquilidade.

Há medos mais fortes que necessitam de maior atenção. Quando os medos são muito invasivos, podem ser um sinal que a criança está vivendo uma perturbação anormal e que não pode ser subestimada:

Medos que aterrorizam: a criança se agita só com a ideia de ter que enfrentar a situação de risco. Dá a sensação de se sentir paralisada pelo perigo.

Medos após algum trauma: são os que se manifestam numa situação específica que a criança relaciona com uma experiência passada ( ex.: um lugar fechado, após ter ficado bloqueada num elevador).

Medos invasores: condicionam a vida da criança e a dos pais e ainda impedem algumas atividades fundamentais.

Medos permanentes: são os medos que não se modificam com o tempo e permanecem mesmo após o desenvolvimento da criança e resultam fora do tempo e fora do lugar (ex.: o medo de um boneco aos 8 anos).

Dicas para ajudar os pais diante do medo das crianças:

  •     Não tratar as crianças como medrosas e nem deixar que se sintam culpadas para não se obter o efeito contrário;
  •     Deixar que se expressem, falem e perguntem sobre os sentimentos e as fantasias que os perturbam com carinho e sem forçar; conseguir falar sobre os medos reduz a tensão e ajuda a enfrentar o problema;
  •     Estar presente quando se manifesta o medo de uma maneira calma e tranquila, tem um efeito tranquilizador imediato;
  •     Mostrar serenidade e evitar mostrar ansiedade e nem calma excessiva para que não assimilem sentimentos inadequados em relação ao medo;
  •     Evitar comparações, cada criança tem o seu tempo e deve ser respeitado; por trás de um medo pode estar um talento ou uma coragem fora do comum;
  •     Nunca dizer: “enfrente o medo, tem que ser corajoso(a)!”, empurrar a criança diante do medo, poderá transformar o medo em terror e piorar ainda mais o problema.

Medos comuns: 

De 0 a 6 meses: Perda do amparo/ Barulhos intensos/luzes intensas.
De 7 a 12 meses: Separação dos pais/ Pessoas estranhas / Imprevistos / Objetos vagos.

2 anos: Separação dos pais/ Ser abandonada pelos pais/ Barulhos / Animais / locais estranhos.
3 e 4 anos: Separação dos pais/ Máscaras / Escuro / Animais.
5 anos: Separação dos pais / Animais / Pessoas más: ladrões / Dano físico.
6 anos: Separação dos pais/ Seres sobrenaturais – monstros / Bruxas / Trovoadas / Dormir ou ficar sozinho / Escuro.
7 e 8 anos: Seres sobrenaturais / Escuro / Ficar só / Filmes, notícias, informações transmitidas pelos media / Ofensas corporais.
9 aos 12 anos: Medos relacionados com a escola: exames, professores, reprovações / Aparência física: acne, gordura / Trovoada, relâmpagos e tremores de terra / Morte / Conflitos entre os pais.


Concluindo: A falta de medo expõe a criança ao risco e o excesso faz com que ela bloqueie. O ideal é ajudar a criança a identificar os medos perigosos dos não perigosos. Na prática, o que se espera é que a criança aprenda a dominar seus temores e não ser dominada por eles, assim como acontece com os adultos. É bom lembrar que muitos dos medos são aprendidos, por isso, os pais devem ser um bom modelo na educação dos seus filhos.


Fonte de pesquisa: http://www.psico-online.net/

2 comentários:

  1. "É bom lembrar que muitos dos medos são aprendidos". Isso. E também muitos medos são incutidos nas crianças pelos adultos.

    Não faz muito tempo que eu conversava com um parente sobre os medos que pais e avós formaram em muitos de nós. Pode parecer estranho e até infantil, mas até hoje tenho medo de sapo. rs Lembro da minha avó e mãe dizendo para que eu tomasse cuidado com sapos, pois "eles lançam leite veneno nos olhos e deixam a pessoa cega". Hoje, adulto, sei que os sapos possuem glândulas venenosas que têm a função de defesa dos predadores, mas eles não são capazes de lançarem o veneno nos olhos das pessoas. Mas mesmo assim o medo permaneceu até hoje - no fundo o medo nem é do pobre sapinho, mas da cegueira.

    Enfim, contei essa história toda porque eu acho que não é preciso incutir mais medo nas crianças além daqueles já relacionados no texto. E também não é interessante ameaçar com o medo ( "não entra ali ou então o homem do saco vai te levar embora").

    Muito bom esse texto, colega!

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    1. Que bom que gostou, colega!

      Pois é, esses medos aprendidos a gente acaba adquirindo na infância, muitas vezes pelos nossos pais. São aqueles erros achando que estão acertando. rs

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